Juazeiro: um grande terreiro
poema em Cordel por Beatriz Alves
Olha só minha gente, prestem atenção
Sobre essa história de fé
Riquezas em contos narrados
Tem o povo do candomblé
É sempre uma grande festa
Nesse Juazeiro de Axé.
É bom ter conhecimento
Para acabar com essa amargura
Que tem na intolerância
Não reconhece tal cultura
Tem que acabar com o preconceito
Com a vergonha e o desrespeito
Pois religião não tem censura.
Pesquisadores e antropólogos
Muitos tentam pesquisar
Essa religião de matriz africana
E seus cultos querem registrar
Mas se quer saber da verdade
Busquem na oralidade
Que os candomblecistas vão contar.
E com trovão de Xangô
Justiça, ele vem fazer
Pra distribuir amor
Festa e muito auê
Porque na roupa branca reflete
A paz de espírito deflete
As bênçãos de Oxumarê.
Buscando o equilíbrio
Faz o culto ao orixá
Exu ou para Oxóssi
Até mesmo a Oxalá
Traz a força de Ogun
E a proteção de Oxun
Nas águas de Yemanjá.
E no terreiro de Pai Bira
A gente foi festejar
Não pra ver a pomba gira
Cuidado quando for falar
Pomba gira é da Umbanda
Outra religião africana
Que não devemos misturar.
E lá na festa de boiadeiro
Não podemos esquecer
Das bênçãos de pai Edilson
E também de Mãe Gegê
Não se tem mais dilema
Purifica com jurema
E o tambor faz chão tremer.
E esse amado Juazeiro
Rico em história e fé
Não só de Padre Cícero
Outros cultos estão de pé
Guiado por mão de Iansã
Por Omolú e Nanã
Esse grande terreiro de axé.